• Argentina - Portal público de noticias de la República Argentina.

Cultura

Cultura, 12 de Setembro de 2007

Um Quinquela, é um Quinquela

Benito Quinquela Martín é o pintor mais popular da Argentina. Sua vida, suas obras, seu bairro e o povo fizeram do artista um personagem importante na história de La Boca e de toda a arte argentina.

Foto: Museo Benito Quinquela Martín

“Don Pedro de Mendoza 1835, Museu de Belas Artes de La Boca, Complexo Cultural Benito Quinquela Martín”. O lugar é perfeito: em pleno coração de La Boca e na avenida batizada em homenagem ao fundador de Buenos Aires. Aí, sobre as terras que o mesmo pintor doou ao seu bairro com estritas indicações para seu uso, funcionam um museu e uma escola.

Seu atelier funcionava na rua Caminito. Daquela grande janela, no terceiro andar do Museu, ele via os barcos, estaleiros e trabalhadores do porto; aí nasceu uma grande parte de seus quadros. Apesar de que lembrava com muita saudade e sorrisos seus quase sete anos num orfanato, sua infância estava pintada do cinza dos hábitos das freiras e paredes do orfanato. O jogo de cores, luzes e sombras de suas obras são o contraste perfeito com o clima sombrio de sua infância.

Com essa virtude de se dar com os mais humildes e, ao mesmo tempo, com as classes altas, soube retratar em suas pinturas o trabalho e sua gente. Apesar da crítica que teve que suportar durante toda a sua vida, e mesmo depois de sua morte, Quinquela é um dos personagens mais queridos da arte e do país. Em 1925, o presidente Marcelo Torcuato de Alvear (1922-1928) enviou Quinquela à França para que suas obras fossem julgadas em Paris. Na Europa, conheceu Benito Mussolini, que ficou fascinado com seu trabalho, comprou mais de dez quadros, e até chegou a lhe oferecer um cheque em branco por Crepúsculo no Estaleiro, mas Quinquela rejeitou a oferta porque era seu quadro preferido.

Os pintores e personalidades da época consideravam o artista um comerciante da arte e sua obra era muito criticada por sua pictórica e sua temática repetitiva de barcos e estaleiros. Enio Iommi –escultor Argentino– chegou a dizer que Quinquela não representava “a cultura pictórica mas sim o populismo pictórico”. Ao contrário disso, Raúl Lozza –fundador do Perceptismo– fala do pintor de La Boca como o “primeiro passo para a pintura populista”.

Já com sua imagem bem estabelecida, começou a ocupar um lugar mais importante no mundo da arte por sua qualidade artística e não pelo personagem que era. “A grande diferença entre ele –afirma Víctor Fernández, curador do Museu Benito Quinquela Martín– e o resto dos pintores é que não se parece a ninguém; a maioria tem um ar a tal ou qual artista, mas Quinquela não: Um Quinquela, é um Quinquela”.

Sua obra tem uma identidade cultural própria, quase impossível de qualificar, e esse foi um dos fatores que mais dificultaram seu rápido reconhecimento. A autenticidade em seu estilo e a simplicidade e beleza de seu trabalho fizeram e fazem dele não só um criador inimitável mas também um personagem em si mesmo.

Sin comentarios
Argentina.ar no tiene responsabilidad alguna sobre comentarios de terceros, los mismos son de exclusiva responsabilidad de quien los emite. Argentina.ar se reserva el derecho de eliminar aquellos comentarios injuriantes, discriminadores o contrarios a las leyes de la República Argentina.