Casa do Bicentenário

Piñeiro
Liliana Piñeiro

Destinada a refletir sobre a história viva dos argentinos, a Casa Nacional do Bicentenário foi inaugurada em março de 2010. Atualmente, apresenta ao público duas mostras: a videoinstalação permanente “Muitas vozes. Uma história 1810-2010” e a exibição temporária “Mulheres 1810-2010”. Com entrada livre e gratuita, está localizada em Riobamba 985 e está aberta de terça-feira a domingo, de 14hs a 21hs. A programação completa de atividades e conferências pode ser consultada em: www.casadelbicentenario.gov.ar

A Diretora da Casa do Bicentenário, desde sua criação, em 2008, Liliana Piñeiro explica os objetivos do centro cultural, oferece detalhes sobre as mostras que podem ser visitadas atualmente e antecipa as próximas exibições que serão vistas durante este ano.

Arquiteta formada na Universidade de Buenos Aires, Piñeiro foi Diretora Geral do Centro Cultural Recoleta entre 2005 e 2007. Foi curadora de forma independente de várias exposições, entre as mais recentes figuram as exibições de León Ferrari no Museu Carrillo Gil do México em 2008, e na Bienal de La Habana 2009. Também foi vice-presidenta da Fundação Internacional Argentina, destinada ao desenvolvimento de projetos culturais.

A Casa Nacional do Bicentenário forma parte dos projetos de comemoração dos 200 anos da Revolução de Maio de 1810, em que estão trabalhando, em conjunto, as unidades Bicentenário da Secretaria de Cultura da Nação e da própria Presidência da Nação. Trata-se de uma série de iniciativas nas quais estamos trabalhando há dois anos, tanto na criação de um programa de atividades, como na remodelação do edifício.

A sede da Casa integra dois edifícios gêmeos de 1913, que pertenciam a Obras Sanitárias de la Nación, e que posteriormente passaram às mãos da Organização Nacional de Administração de Bens (ONABE). Mais tarde passaram a formar parte do patrimônio da Secretaria de Cultura da Nação, possibilitando o programa que a casa comanda.

Com uma fachada de estilo Beaux Arts, a sede tem 3500 m2, distribuídos em um subsolo, térreo, quatro andares e um pátio. Trata-se de um espaço permanente, que esperamos que também possa se converter na Casa do Tricentenário.

O objetivo é desenvolver exibições, programas educativos, atividades de pensamento e reflexão, atividades culturais, que se vinculem a partir de diferentes eixos temáticos, através de exibições temporárias.

Buscamos trabalhar sobre temas que nos permitam percorrer a história argentina ao longo de 100 ou 200 anos, e se relacionem com nossas identidades, para poder refletir sobre as perguntas muito elementares e muito profundas: de onde viemos, quem somos. Mas, sobretudo, pensando desde o presente e projetando-nos em direção ao futuro.

Queremos que seja um lugar vivo. Que seja um espaço cultural muito dinâmico. Na Casa é muito importante o desenvolvimento de espaços de reflexão que gerem um debate social. Focamos para que todos nos sintamos protagonistas do Bicentenário, que não pensemos que a história só acontece com os outros.

Cada um forma parte da história argentina, e o objetivo da Casa é que nos sintamos parte desses processos e que possamos debatê-los, questioná-los e contribuir para pensar nesta história que construímos no dia a dia.

As visitas guiadas estão estruturadas através do jogo, para que as crianças possam ter a vivência de temas que se atravessam na exibição. Não importa tanto que se lembrem de uma data, um local ou um nome, senão que possam ser transmitidas as vivências pessoais.

As exibições permanecerão durante vários meses abertas ao público, porque queremos que se possa trabalhar com os colégios e com o público em geral. Depois vão ser exibidas nas diferentes províncias. Cada lugar que receber, somará seus valores locais, suas situações sociais e políticas, seus personagens.

No térreo pode-se visitar a exibição “Muitas vozes. Uma história 1810-2010”, um passeio pela história argentina. Trata-se de uma videoinstalação com seis projetores, na qual se oferecem diferentes pontos de vista sobre os processos históricos.

Os quatro andares superiores compreendem a exibição temporária “Mulheres 1810-2010”, curada por Valeria González, com o assessoramento de Dora Barrancos, Mirta Lobato e Laura Malosetti Costa.

A exibição temporária inclui a produção de artistas visuais, que se encarregam de certas problemáticas, atualmente, talvez, não totalmente visíveis e antecipam temas que vão acontecer. O relato se enriquece no diálogo entre as obras de arte, os objetos, as testemunhas, os arquivos. Além disso, propomos livings de leitura com os materiais bibliográficos que se utilizaram para as exibições.

As próximas mostras temporárias estarão destinadas aos modelos econômicos e projetos de país que aconteceram nestes 200 anos de história argentina; e, a seguinte, na história da música nacional.

A contribuição da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI) nos permitiu contar com a última tecnologia disponível e, desta forma, produzir uma grande quantidade de peças audiovisuais que ampliam a informação transmitida nas paredes e âmbitos da casa.

A meta da Secretaria de Cultura da Nação é realizar 200 Casas do Bicentenário em todo o país, com áreas de multimídia que permitam realizar shows de músicas e apresentações de peças de teatro. Já se está trabalhando nas primeiras 60 e a ideia é articular ações com Casa do Bicentenário. Também estamos desenvolvendo uma série de programas de TV com Canal Encuentro e a Universidade Nacional de Tres de Febrero.

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